Estourará uma Bolha Financeira de mais de US$10 bilhões

Tradução: Roberto Lacerda Barricelli / Publicado originalmente no Instituto Mises Espanha

No mundo, a grande velocidade, se infla uma Bolha Financeira de destruição em massa no mercado de títulos. De fato, não é novidade e começou quando os bancos centrais lançaram políticas monetárias “não convencionais” durante a crise de 2008/2009. Basicamente diminuíram as taxas de juros artificialmente e inundaram o mundo com liquidez através da compra de ativos.

Contudo, a economia não vai bem. Apesar dos “estímulos” que comento, ou melhor, por causa deles – pois só serviram para fazer se mexer um “gato morto” -, há agora uma fuga dos investidores desesperados por “segurança”. Por isso, os papéis da dívida, considerados como “refúgio” (um porto seguro), estão encarecendo. Pro mais paradoxo que pareça, há uma relativa “escassez” de papéis de dívida estatal por causa da alta demanda dos investidores que abandonam os mercados emergentes.

O encarecimento dos títulos chegaram a um ponto tão absurdo e ridículo que há um crescente número deles que pagam rendimentos negativos. É o caso, por exemplo, de Alemanha, França, Itália e Japão.

Bill Gross, famoso investidor internacional da Janus Capital, escreveu em seu Twitter que os rendimentos são os mais baixos registrados em 500 anos de história, e que mais de US$10 bilhões em títulos já pagam taxas negativas.

Os responsáveis por ter-se chegado a este extremo são os banqueiros centrais e sua alusão a políticas “não convencionais”, que na Zona do Euro e no Japão já impõe as taxas negativas mencionadas.

Gross advertiu que “isto é uma supernova que explodirá um dia“. Não há dúvida de que assim será.

De acordo com o índice Fitch de 31 de maio de 2016 havia US$10 bilhões (bdd) em dívida soberana com rendimento negativo. O Japão é o líder desse grupo com 7.3 bilhões de dólares (US$).

E esse montante está crescendo de forma acelerada, pois em fevereiro/2016 eram US$7 bilhões, em abril/2016 eram US$9 bilhões e em maio/2016 bateram em US$10 bilhões pela primeira vez.

O Commerzbank, segundo maior banco da Alemanha, está considerando – segundo fontes da Reuters -, acumular bilhões de euros em dinheiro físico em seus cofres para evitar os efeitos negativos impostos pelo Banco Central Europeu (BCE).

Não é casual, como informei há alguns meses, que na mente dos banqueiros centrais está a abolição do uso de dinheiro físico o quanto antes. Já começaram na Europa com as notas de 500 euros e estão propondo o mesmo com as de 100 dólares. Não querem que coisa alguma escape de suas absurdas e destrutivas políticas monetárias.

O que tudo isto implica? Nada de bom. Querem forçar os bancos privados a emprestar dinheiro para não serem castigados com taxas negativas, quando o problema é justamente terem emprestado em excesso. Um problema causado pela dívida, crédito e consumo desmedidos não se pode curar com mais do mesmo.

Inclusive, as injeções de crédito dos bancos centrais criaram reservas bancárias excessivas, que quando são emprestadas, acabam parando em outros bancos na mesma situação. Um beco sem saída.

Estas instituições financeiras continuam perpetuando esse mal e isso se refletirá em suas ações.

No México, não estamos protegidos dessas pressões externas. Os fluxos de capital tendem a sair mais do país que se manterem com a incerteza constante se o Banxico (Banco Central do México) sobe ou não este mês sua taxa de referência (o qual deveria ter se antecipado a inflação que virá).

Neste espaço [site da publicação original, em espanhol; Nota do Tradutor] alertamos que manter as reservas em pesos não era uma boa ideia. O Citibank se juntou a esta posição recentemente ao recomendar a venda da moeda mexicana e a compra de dólares.

Não há dúvida de que na próxima e inevitável crise, nossa moeda e toda a economia passarão muito mal.

Claramente, o dólar é um gigante de papel. O verdadeiro refúgio financeiro indestrutível e permanente é o ouro, seguido pela prata. Não há dúvida de que os investidores mais sensatos seguirão acumulando ambos fisicamente, sobretudo a preços de oportunidade de compra. Esperemos que se apresentem. Pois a esses investidores é a quem devemos seguir.

Guillermo Barba
Guillermo Barba é um economista liberal, graduado pela Universidad Nacional Autónoma do México e com formação na Escola Austríaca e na Nova Escola Austríaca de Economia (NASOE).

Foi aluno de proeminentes economistas "austríacos" como Jesús Huerta de Soto e Miguel Angel Alonso, além de "Novos Austríacos" como Antal Fekete - fundador da NASOE -, Juan Ramón Rallo e Sandeep Jatlyn.

Barba é um ferrenho defensor dos direitos individuais, do Livre Mercado e do dinheiro lastreado. Também defende o padrão ouro e a monetização da prata.

Especialista em monetarismo, finanças e expert dos mercados de metais preciosos.
Atualmente é colunista, palestrante e jornalista dedicado a análise das condições econômico-financeiras e geopolíticas mundiais.

2 Comments

  1. B. Dutra

    Tudo saiu da naturalidade, agora temos muitos problemas. Vendas e consumo foram intensificados via crédito até os devedores engasgarem. Na natureza tudo tem limites,não as emissões monetárias e acúmulo de dinheiro que atingiu níveis astronômicos em poucas mãos, causando perturbações no mercado sem que se saiba como reorganizar moeda e câmbio.

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  2. mario

    A saber, tudo é, e se trata de especulação, para alguem ganhar, alguem terá que perder. Fato.

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