Confissões de um ex-ateu

Até meados de 2015, mantinha-me ateu firmemente, apesar de não defender a atuação ateísta e diversos de seus pontos de vista desde 2013. Essa contradição mantinha-me em uma briga interna. Ora, como poderia eu manter-me ateu, se toda a base ética e moral da escola de pensamento a qual “pertenço” vem, em geral, do cristianismo?

Não fazia mais sentido algum e, por isso, comecei a me afastar o ateísmo ao final de 2015, mas sem me aproximar de cristianismo ou qualquer outra religião.

Em 2016, conforme retomei os estudos filosóficos e teológicos aos quais não conseguia mais me dedicar, devido a uma rotina estafante de trabalho, larguei de vez o ateísmo e retomei minhas bases cristãs, me reaproximando agora da Igreja Católica Apostólica Romana, dentro da qual fui criado, e de onde onde deveria ter me afastado.

A verdade é una e simples: o ateísmo não faz sentido, pois é necessário crer nele, tal qual é necessário crer na existência de Deus, contudo, as ideologias ateístas se provaram danosas à humanidade, como o é o comunismo, o nazismo e demais crias das ideias de Karl Marx, enquanto a moral judaico-cristã é responsável pelos princípios éticos e morais capazes de impedir que tais ideologias prosperem.

O próprio Karl Marx afirmava que seria necessário “destronar Deus” para o advento do comunismo, e enquanto defendia que “a religião é o ópio do povo”, criou uma teoria assassina e dogmática, que se transformou em uma religião sem Deus algum, responsável por mais de 200 milhões de mortes no século XX, e que continua a nos assombrar em pleno século XXI, como os mesmos males do passado, como a fome e a miséria (vide Venezuela e Coreia do Norte).

Claro que pode-se afirmar que houve erros cometidos pela Igreja, e não os nego, contudo, ao que levou tais erros e o que fatalmente evitaram? Por exemplo, a Santa Inquisição era baseada em um Tribunal Eclesiástico para julgar crimes de heresia, mas que acabava por julgar também aqueles contra a moral cristão. Com esse tribunal deslegitimou-se o linchamento de acusados, sem que houvesse julgamento, retomou-se o direito romano e o devido processo legal,, bem como a presunção da inocência e o ônus da prova.

A atuação da Igreja foi decisiva e, na maioria dos casos,sempre assegurando-se o direito à ampla defesa, só era condenado aquele que praticamente se recusava a se defender. Após essa condenação, era entregue à autoridade secular, para que decidisse seu destino, como sendo uma última chance de ter a vida poupada. Em alguns países, como na Espanha, houve mais execuções perpetradas por tal autoridade, que em outros, contudo, em 350 anos de inquisição espanhola houve 2.000 execuções.

Obviamente que podemos imaginar: 2000 execuções de inocentes. Bem, dentro da cultura e do momento histórico específico, considerar-se-ia como crimes que ameaçavam a coesão social. Com a evolução do pensamento e da ética, em muito devido ao próprio cristianismo, chegamos a um nível de elucidação capaz de condenar tais execuções.

Houve o erro ao assassinarem-se inocentes, e isso deve ser reconhecido e condenado, contudo, assim como não podemos cobrar dos brancos de hoje uma “dívida histórica” pela escravidão dos pretos, até a abolição da escravatura, pois em nada tem culpa aqueles que nasceram depois, dos crimes cometidos por seus antepassados (e em geral, a maioria dessas pessoa sequer possuem antepassados que foram senhores de escravos), cobrando-lhes uma reparação histórica pro crimes que não cometeram, não se pode cobrar dos cristão de hoje pelos erros cometidos por cristãos em outra época.

Mas podemos cobrar daqueles que ainda defenderem as mesmas ideias que levaram erros históricos que custaram caro à humanidade, e aqui nos deparamos com as ideologias ateístas, que ainda detém defensores (muitos beiram ao fanatismo) e que novamente obtém os mesmos resultados tirânicos de outrora.

Ainda mais sendo clara a evolução do pensamento e do cristianismo, ao ponto de hoje ser base essencial de ideias que mantém o tecido social forte e ético, como o Liberalismo Econômico e os próprios direitos individuais e inalienáveis à vida, salvaguarda do corpo, propriedade privada, busca pela felicidade e liberdade, de forma a se afastar dos erros do passado, mesmo que haja ainda hoje indivíduos que, movidos por interesses pessoais não compatíveis com o cristianismo, promovam ideias retrógradas, em nome do mesmo. Ideias essas que os próprios cristãos, em geral, rejeitam, e para tal afirmação basta observar o próprio dia a dia e as manifestações majoritárias dos indivíduos.

Ainda há muito o que discutir e evoluir? Com certeza. Mas o cristianismo permite essa discussão e essa evolução, mesmo que em momentos específicos tenha sido utilizado de forma errada, enquanto as ideologias ateístas estão no próprio cerne equivocadas, não pregam a tolerância (que é um conceito cristão¹), mas a divisão, e carregam um saldo histórico genocida.

Por fim, peço desculpas aos amigos que em dado momento possa eu ter destratado, sido rude ou desrespeitado aquilo que professam, e por ideias completamente equivocadas do passado, como a defesa do aborto e de ações de intolerância, justamente por questões que no fim acabavam sendo de uma religião sem um Deus, sem ética e imoral.

Quero dedicar este texto em especial aos amigos Santiago Staviski e Ítalo Lorenzon, que me aturaram nessa fase anterior, à amiga Paula Felix, que me ajudou a abrir os olhos através de muita paciência e questionamentos, além de suas opiniões sempre lógicas e claras, as quais acompanho há algum tempo, e à minha querida Viviane Anaya Castro, que me deu vários puxões de orelha, totalmente necessários.

Roberto Lacerda Barricelli
CEO & Founder do Instituto Visconde de Cairu e Consultor da Editora Libertar. Autor do livro "Em Defesa da Vida" e ativista pró-Vida.

Jornalista e especialista em economia, política e historia (brasileira, do pensamento econômico, política e do totalitarismo). Diretor de Jornalismo na Liga Cristã Mundial.

Estudos avançados em filosofia, principalmente nas escolas Estoica, Grega/Clássica, Romana/Latina, Escolástica, Jusnaturalista, Alemã (idealismo e estética e socialismo científico), Francesa (liberalismo e socialismo utópico), Inglesa (liberalismo, utilitarismo, empirismo, socialismo utópico e contratualismo), Russa (social democracia), Marxismo/Comunismo e Austríaca.

6 Comments

  1. Saly Segatta Baer

    Parabéns Roberto por ter revisto seus conceitos e ter aceito a existência de Deus. Sou membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos do Últimos Dias, e acreditamos que se cada cristão viver os preceitos de sua religião o mundo pode ser muito melhor.

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  2. Carlos Mello

    NUNCA FOI ATEU. Nem sabe o que é ateísmo.
    Não sei como ainda existem otários que acreditam nestas crendices de dois mil anos.
    Fora se o cara bateu, bem forte, com a cabeça ou tem alguma doença cerebral degenerativa, não existe Ex-ateu.
    É como voltar a acreditar em Papai Noel, Fadas, Lobo Mau, etc.

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    1. adminadmin

      E fazer um monte de afirmações sem embasamento, não oferecer um único argumento e utilizar de ad hominem é ser muito racional e lógico, não é mesmo? Agir raivosamente com palavras de ordem para defender o ateísmo, não é agir feito um crente fanático, imagine… Pelo visto, quem não sabe o que é ateísmo, e sequer deve saber o significado de “honestidade intelectual”, és tu.

      Em tempo, essas “crendices de dois mil anos” não são refutadas só porque você acusa e xinga como um histérico qualquer. Parece até um daqueles malucos que apontam para todos os fracassos do comunismo da história e dizem: “eles não sabem o que é comunismo, deturparam o comunismo, eu que sei o que é, pois nunca foram comunistas”. Ficar em estado de negação não é ser um crente fanático também.. Coerência para quê?

      Atenciosamente,

      Instituto Visconde de Cairu

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  3. edson

    Não existe moral concreta no cristianismo, só moral abstrata, onde tudo pode, porque quem julga é deus, onde pode inclusive matar em nome de deus que terá o perdão dos seus iguais. Ateus trabalham com moral concreta, leis concretas e reais, não ficamos nos embasando nas fantasias de livros “sagrados”. O nazismo não é ateu, inclusive teve o apoio da igreja católica (pesquise), nenhum comunista matou em nome do ateísmo, mas cristãos já mataram em nome do cristianismo (cruzadas, inquisições), aliás Stalin tinha uma pequena igreja ortodoxa Russa particular (pesquise), suas falácias não convencem quem realmente é ateu. Muito ruim esse texto!

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    1. adminadmin

      “Pode inclusive matar em nome de Deus”. Por isso o primeiro mandamento é “não assassinarás”. Não há nenhum relativismo ou abstracionismo. A moral cristã é clara e objetiva e se você não tem conhecimento de história, filosofia e teologia básicos, a culpa não é do cristianismo, mas sua.

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    2. adminadmin

      E só lembrando que CRISTIANISMO = DEPOIS DE CRISTO. O que tem de energúmeno se baseando em velho testamento… dá até dó.

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