Liberalismo e Livre Mercado – Distinção básica

Liberalismo é uma ideologia, Livre Mercado um sistema. Liberais, em geral, defendem o Livre Mercado, mas isso não cria um “liberalismo econômico”, o termo é filosoficamente e historicamente errado e um neologismo que esvazia o sentido pleno de Liberalismo.

As pautas sócio-culturais e morais dos liberais estão alinhadas historicamente à esquerda, sendo os liberais que não estejam nessa área, em tal espectro, acidentes dentro do liberalismo; geralmente vê-se desse tipo de ‘liberal’ em países com forte papel da Igreja Católica no processo civilizatório local, criando um arquétipo que perdura por gerações, independente das demais religiões existentes, ou da ausência de religião, mantendo incutido nos espíritos, mesmo liberais, o repúdio a essas pautas sócio-culturais (ideologia de gênero, aborto etc.). São acidentes no sentido aristotélico da palavra, pois não é uma propriedade do liberalismo o antagonismo a essas pautas, mas o justo oposto.

A pauta econômica não define se o indivíduo é de esquerda ou de direita, pois economia é uma estrutura secundária, advento das relações entre as estruturas primárias das quais surge a sociedade civil organizada (princípio de subsidiariedade). Marx defendia que o capitalismo (livre mercado) levaria ao Comunismo, ocorre que Marx sabia que é necessária alta produção de riqueza antes da implantação de seus sistema, sendo que o livre mercado se torna instrumento dessa produção, e não moraliza por si só a sociedade, enquanto os progressistas agem na degradação das tendências, visando derrubar as estruturas primárias (Família, Igreja e Irmandades), o que necessariamente gerará conflitos sociais e a famigerada guerra de classes (por ausência de bases sólidas e mantenedoras da moral objetiva e dos princípios civilizatórios). A mentalidade revolucionária vence, o Estado cresce até se confundir com a sociedade e o capitalismo é removido.

Liberais que enxergam tudo através da ótica de mercado, entram no jogo marxista, pois focam-se exclusivamente nas condições materiais de vida. O materialismo liberal permitirá torcer a janela de discussão para o estruturas secundárias, enquanto o marxismo cultural avança e se impõe. E se trata de fenômeno recente, pois se verificarmos os primeiros liberais, surgidos a partir da apreensão de ideias iluministas, encontraremos o foco da preocupação na organização do Estado, no contrato social e nos direitos individuais. São liberais como Rousseau e Voltaire que defenderão a liberdade de expressão, mas um Estado mantenedor e o sistema democrático que permite àqueles que detém o “amor” das massas, obterem o controle político; repetindo um erro histórico encontrado com maior clareza nas democracia gregas, principalmente Athenas, através das reformas dos progressistas encabeçados por Péricles, e nas reformas dos progressistas romanos, ambos pertencentes ao partido democrata de seu local e tempo (qualquer semelhança com a atualidade não é mera coincidência).

Liberais que não são a favor de livre mercado, continuam sendo liberais, mas adeptos da escola econômica iluminista, não diferindo quanto ao restante.

O liberal Locke, por mais que tenha escrito um dos tratados sobre liberdade religiosa e de expressão mais importantes da história (Carta sobre a tolerância), na área econômica desenvolve sua teoria do “Valor Trabalho” e dá ao trabalho o status de regente de direitos (o direito a propriedade deixa de ser natural e passa a ser extensão do direito ao produto do trabalho, o que será usado futuramente por Karl Marx como base de sua teoria da apropriação, e pelo genro deste, Paul Lafargue, na produção de sua obra “O Direito à Preguiça”, da qual Marx retirará a teoria da mais valia). O liberal Rousseau desenvolverá um sistema baseado na ditadura da maioria, que na verdade não passa das massas sob domínio de demagogos, como houve na Grécia, Magna Grécia e Roma (Julio César é um dos melhores exemplos).

Esse é o resultado do liberalismo, pois vive em função do materialismo (causa material para tudo) e ignora que há quatro causas para tudo: primeira eficiente, material, formal e final.

Roberto Lacerda Barricelli
CEO & Founder do Instituto Visconde de Cairu e Consultor da Editora Libertar. Autor do livro "Em Defesa da Vida" e ativista pró-Vida.

Jornalista e especialista em economia, política e historia (brasileira, do pensamento econômico, política e do totalitarismo). Diretor de Jornalismo na Liga Cristã Mundial.

Estudos avançados em filosofia, principalmente nas escolas Estoica, Grega/Clássica, Romana/Latina, Escolástica, Jusnaturalista, Alemã (idealismo e estética e socialismo científico), Francesa (liberalismo e socialismo utópico), Inglesa (liberalismo, utilitarismo, empirismo, socialismo utópico e contratualismo), Russa (social democracia), Marxismo/Comunismo e Austríaca.

3 Comments

  1. Guilherme

    Artigo raso, burro, que apenas pega na onda de conservadores ignorantes que criticam o liberalismo sem conhecê-lo. Eu duvido que o Roberto tenha lido qualquer liberal inglês. Libertário que já foi, principalmente, aposto que jamais tocou em um Locke, um Smith ou um Hume para fazer de fato uma leitura política deles.

    “As pautas sócio-culturais e morais dos liberais estão alinhadas historicamente à esquerda, sendo os liberais que não estejam nessa área, em tal espectro, acidentes dentro do liberalismo”

    Hahahahhaah

    Nunca ouviu falar de Gertrude Himmelfarb com seu trabalho sobre o iluminismo britânico como ‘sociologia das virtudes’ e o frances como ‘ideologia da razão’. Ser contra o progressismo não é acidente nenhuma no liberalismo britanico.

    Burke mesmo era um, amigo de Adam Smith que se considerava um “Old Whig”, do partido liberal ingles. Nabuco se considerava um liberal ingles. Hayek, e assim por diante. A rejeição deles ao progressismo não é acidente nenhum.

    Cara, tu ta faltando tanta leitura. Vou recomendar autores mais modernos pra facilitar. Bertrand de Jouvenel, autor da excelente obra chamada O Poder. F. A. Hayek, em Law, Legislation and Liberty.

    E vc deveria conhecer mais Visconde de Cairu, que leva o nome desse instituto, fortemente influenciado pelos dois LIBERAIS e amigos Burke e Smith.

    Do livro “Visconde de Cairu”:

    “Numa época em que os intelectuais brasileiros tentavam desarticular-se parcialmente do peso da influência portuguesa e tomavam a “França por madrinha”, ele voltou-se de corpo e alma ao pensamento britânico, absorvendo o que nele havia de mais significativo, por familiarizar-se com as doutrinas de Adam Smith, David Hume, Edmund Burke, Thomas Brown, Edward Gibbon, Adam Ferguson, William Paley, etc.”

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    1. adminadmin

      Já que você só atacou o autor, ao invés de fornecer um único argumento que refutasse o texto, só nos resta lamentar que sejas um incapaz intelectual e mau caráter, que cita autores à esmo e não fundamenta coisa alguma.

      Em tempo, Burke e Smith eram conservadores, e se você os conhecesse, saberia disso. Falta-lhe leitura, como de “Teoria dos Sentimentos Morais”. Dar risadinhas, ser arrogante, atacar e não argumentar só mostra que o raso és tu, além de desonesto e que falhastes enquanto ser-humano. Refute o autor, com argumentos, história e filosofia, ou se cale.

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  2. ClaimCenter

    Caros Amigos, os caminhos únicos e possíveis são o ataque frontal à glogolpe e a seus/as macaco/as amestradinhos que se pavoneiam de juízes/as mas, não podemos esquecer, nunca, que os maiores responsáveis pela nomeação de gente com o caráter de um Luiz Roberto Barroso, nosso famoso “iluminista de puteiro, aliás, esse seria um ótimo nome para o stf

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