A incapacidade dialética do anti-petismo beneficia Lula

A insistência do PT em insinuar que Lula é um preso político, assim como a equivalente insistência dos antipetistas em “provar” que ele é “apenas” um ladrão, mostram bem o nível do debate.

Do lado petista, o pressuposto é o do marxismo (legítimo para o estado laico e neutro brasileiro) de que desobedecer as instituições e leis de um estado burguês é dever do revolucionário.

Do outro lado, a redução de um revolucionário continental perigosíssimo à posição de um mero ladrão mostra bem o motivo pelo qual deixaram ele primeiro fazer um discurso orientador para a militância para depois “esteje preso” e, portanto, um “cadáver político”, como dizem alguns. Um cadáver que ontem ressuscitou e agora é uma ideia!

O próprio Lula disse, em seu discurso, que no período militar temiam apenas a sua língua. Um claro recado aos estrategistas da PF que deixaram ele primeiro fazer o que faz de mais criminoso para depois ser levado pela desculpa arranjada qualquer. A única prisão capaz de conter um revolucionário é o silêncio e a inexistência pública. E isso foi exatamente o que deram a ele de bandeja.

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Cristian Derosa
Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro "A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)" e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.

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