Cultura, Mulheres e Política

A tarefa da mulher não é apenas sublimar valores. É isso e é mais que isso. Sua tarefa é elevar a cultura com sua sensibilidade, é inovar na política com sua bravura e é, também, conciliar o ser humano com aquilo que lhe é mais nobre: a vontade de justiça e de verdade. Não damos aqui testemunho de diretrizes de conduta, mas, antes, apontamos para o que é, em si mesmo, um valor e assumimos esse valor como norteador de nossas estratégias, sejam elas quais forem, deem-se elas por meios culturais, políticos ou religiosos. O mesmo ímpeto deve acompanhar aquele cuja luta se expressa na liderança doméstica ou na liderança de uma empresa; os mesmos valores ético-morais devem nortear aquele que trabalha a terra ou o intelecto e os mesmos valores devem ainda nortear a conduta daquele ente que está naturalmente mais familiarizado com a força e daquele ente cuja força se expressa também na sutileza de suas impressões singulares e superiores.

A mulher e o homem equiparam-se quando, juntos, buscam elevar a si mesmos e à sua descendência à qual servirão de exemplo; quando, juntos, conquistam terreno de concórdia e pacificação; quando, juntos, renegam o discurso totalitário que os segrega, como se fossem dois combatentes e não seres humanos unidos no campo de batalha terreno. Cada um com sua qualidade própria, cada um com sua singularidade, cada um com sua característica que, conjugadas, podem aumentar exponencialmente a capacidade criativa e empreendedora da sociedade.

O âmbito político é um campo aberto para a participação feminina. Que essa participação, porém, venha em forma de acréscimo de força e de moralidade e não de intransigência e devassidão. A ausência de maturidade moral dos integrantes de qualquer agremiação a transforma em uma espécie de doença inesperada e estranha que se incrusta no tecido social. O feminismo – como toda organização política que se imanentizou totalmente – perdeu suas características e hoje traduz raramente um anseio real e espontâneo. Na maioria das vezes é um conjunto de palavras de ordem carentes de valor e sentido e cuja meta é, não raro, a dissolução daquilo a que nos referimos acima como conjugação entre os iguais para metas superiores.

Somos mulheres, mas nosso discurso brota de uma experiência direta, concreta, real. E essa experiência nos diz que não é achincalhando o homem que nos liberaremos dos supostos grilhões que ainda porventura nos prendam. É elevando a nossa voz e forçando a passagem com contumácia e retidão que haveremos de lograr êxito nesse ambiente tradicionalmente masculino que é a política. Mulheres na política para elevar a política à sutileza e à experiência estética e amorosa própria da mulher e não para degenerar a mulher em instrumento manipulável ao bel prazer das ideologias.

Estão todos convidados para a nossa palestra sobre esse tema. Imagem abaixo:

Nota: O Instituto Visconde de Cairu apoia a filosofa e professora Catarina Rochamonte, através da divulgação de seus trabalho, seja aonde for e, portanto, não tem nada a ver com o organizador da palestra (Partido Novo), respeitando nosso estatuto que proíbe a associação a partidos. 

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Catarina Rochamonte
Catarina Rochamonte é graduada em filosofia pela UECE (Universidade Estadual do Ceará), mestre em filosofia pela UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) e doutora em Filosofia pela UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). Realizou na graduação e no mestrado pesquisa sobre a metafísica de Schopenhauer e no doutorado sobre a filosofia de Henri Bergson. Leciona e pesquisa principalmente nas subáreas de Teoria do conhecimento e Metafísica. Professora de Filosofia da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

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